A INFELICIDADE DE NÃO SABER O QUE SE TEM


“E TINHA NOEMI UM PARENTE DE SEU MARIDO, HOMEM VALENTE E PODEROSO, DA FAMÍLIA DE ELIMELEQUE; E ERA O SEU NOME BOAZ.” Rute 2.1
A personagem do nosso texto era detentora daquilo que poderíamos chamar ‘sorte’. Por que? Porque era simplesmente parenta próxima de uma das pessoas mais importantes da sua cidade: BOAZ. Ele era rico, homem de posses. E ela fora casada com o irmão dele, que havia falecido. Quem não gostaria hoje de ter um parente rico? Mas o que tem isso a ver com o bate papo daqui do site onde trato sempre de coisas da vida? Sobre o que quero tratar?
Isso é vida. Talvez não nos atermos para as entrelinhas da narrativa, faça-nos perder relampejos de sabedoria que poderão nos ajudar a melhorar a vida, como ensinamentos de Deus para cada um de nós. Noemi vivia um dos momentos mais complicados da sua história: vivia numa cidade distante da terra natal, perdeu o marido, filhos, uma das noras, volta para sua cidade viúva e sem bens e agora está à mercê da sorte, sem dinheiro e sem condições e opções de trabalho. Quer um quadro mais horrivelmente pintado? Certamente não. Mas o que me chama a atenção nesse instante é poder me ver na mesma situação de Noemi em vários momentos da vida. Se bem que isso não me intriga mais do que perceber que tenho a mesma atitude dela quando inserido num contexto complicado na vida. As dificuldades, os problemas, as portas que não se abrem, a enfermidade que não termina, o relacionamento que não vê solução para as intrigas, o coração que não se aquieta diante da solidão, quando em tanto tempo ele busca companhia, a aprovação num curso ou concurso... Enfim, diante dessas situações e inserido em uma delas, perco a chance de ver que a benção está mais perto que eu imagino, perco a possibilidade de avistar aquilo que na verdade eu até tenha. Mas que, por tanto tempo focando a atenção total no infortúnio, roubado pela crise, achatado pelo desconforto, sufocado pelas dores, deixei de ver que TINHA.
A benção de Noemi estava ao seu lado, a sua crise tinha fim mais rápido que ela imaginava, porque TINHA ela. Entretanto, ela, em momento algum, conseguiu interpretar o seu momento com outra visão e ver as possibilidades que TINHA. O importante dentro de qualquer processo de adversidade que se esteja inserido não é nem o fim como as coisas tomam um ensejo final, mas o comportamento que se tem ao longo dessa experiência. Pois tenho a absoluta certeza de que nessa aparentemente infindável nuvem de infortúnios que eu esteja vivenciando, eu sei que TENHO, e TER CERTEZA disso vai fazer uma enorme diferença no meu comportamento e nas interpretações que vou ter do momento que estou tendo a oportunidade de viver.
Assim, Deus ensina que até nos momentos que em que achamos que não temos, podemos ter a certeza que Ele já nos deu, e que o necessário para a jornada da vida está tão mais a nosso alcance do que pensamos, mas que em muitos casos não percebemos ou não perceberemos pelo simples e definitivo fato de que não estaremos interpretando as circunstâncias com uma ótica saudável e coerente.
Neste instante eu não sei em qual circunstância você possa estar enquadrado, mas tenho certeza que assim como Noemi, você TEM e não esteja tomando consciência disso. Talvez você tenha muito mais do que imagina, talvez o de que precisa esteja dentro de si próprio, dentro da sua capacidade, dentro das suas habilidades, dentro das suas competências, dentro das qualidades que na verdade Deus já colocou em você. Mas esteja igual Noemi: chorando e sem esperanças, sentindo-se fracassada e fadada à morte, sofrendo e de cabeça baixa. Mas o momento quem sabe não é para lamentar, mas enxergar possibilidades, o momento é para vislumbrar posses, certificar-se que mesmo em meio a tanta dor, sofrimento, angústia, saudades, lamentações, dissabores e perdas, tenho que saber que TENHO. E TER pode em muitos casos não ser o fim de um infortúnio externo, mas a certeza de que o infortúnio e o inconveniente da alma têm fim porque a graça de Deus me alcançou e me deu a oportunidade de ver as circunstâncias por uma ótica diferente e saudável, abençoada e revigorante.
TER, talvez possa não ser o fim dos algozes em minha vida, mas a atitude que vai gerar dentro em mim fará diferença sobremaneira em relação ao andamento do processo ao longo da caminhada no qual estou inserido. Deus espera que, mesmo em meio a um turbilhão de contrariedades vividas, eu tenha consciência de que TENHO. E nesse momento a maior posse é o SENHOR. Sim, embora tudo seja visto como às avessas do que eu desejaria para a minha vida, eu posso saber que tenho o SENHOR sempre e sempre. E isso tem que ser aceito como suficiente. Pois Ele disse: A MINHA GRAÇA TE BASTA.

Em Cristo, que ensina que o 'ter' é mudar circunstâcias

Jahilton Magno

São Luís, 31.07.10

jahiltonmagno@yahoo.com.br
magnopoema@hotmail.com

A POEMA PERDIDO


Vi um poema deslizar pelas mãos de um poeta
Porque o poeta pensou que não sabia mais escrever poemas.
Esqueceu-se da tinta,
Esqueceu-se da pena,
Esqueceu-se da vida.
Esqueceu-se da poesia.
O poema que estava em suas mãos,
O poema que esperava apenas a junção da tinta
Com a pena,
Com a vida,
Com a poesia,
Deslizou de forma tão calma e tão serena.
O poeta esqueceu-se de... Ser poeta.
Quando não concebeu dentro de si
A simples, mas tão maravilhosa fórmula
De misturar tinta e pena,
E vida,
E poesia.
O poeta deixou deslizar o poema pelas suas mãos,
E não percebeu que deslizava pelas suas mãos também
A sua própria vida.

Jahilton Magno 10/04/06 às 19h47min em casa.

A PALAVRA SEMPRE SERÁ O REFERENCIAL


“Naquela época não havia rei em Israel.” Juízes 18-1 e 19-1

Fico pensando em quantas decisões erradas tomei na vida simplesmente pelo fato de que na verdade eu não sabia qual era a vontade de Deus para minha vida, não porque não a tivesse, mas porque não a buscasse e em muitos casos não a respeitasse, aceitando-a e cumprindo-a, como prova de submissão e obediência.
Mas eu não sou a única pessoa na história que já fez isso e também não sou o único que sofreu as conseqüências ruins das erradas escolhas que ao longo da vida abracei. A bíblia mostra um momento importante na vida do povo de Deus que também sofreu grandemente pelo simples fato de ter escolhido a sua própria vontade e não a de Deus. O relato desses dois capítulos nos mostra dor, morte, sofrimento, separação, assassinato, mentira, egoísmo e uma seqüência trágica de fatos que revelam a inteireza do caráter humano quando distante de Deus.
Tudo isso por quê? Porque “naquela época não havia rei em Israel”. Esse versículo não parece ter muito o que dizer, mas é de uma profundidade muito grande. O povo, depois de Moisés e Josué, começou a ser guiado pelos Juízes que traziam de Deus a palavra, a direção. Até então, não havia um Rei que lhe conduzisse e a ausência dele causou-lhe a vontade de, então, tomar suas próprias decisões.
A bíblia diz que sem profecia o povo se corrompe. E foi exatamente isso que aconteceu na vida dos israelitas. Não que não existisse uma palavra de Deus. Sempre houve a direção divina para o seu povo, mas naquela época eles preferiram agir por conta própria a ouvir a santa palavra. O resultado é o que se lê no restante dos dois capítulos.
Sempre nos corromperemos quando não tivermos uma palavra de Deus para nossas vidas; tomaremos decisões erradas guiadas pelo nosso egoísmo; abraçaremos causas tortas enquanto faltar a orientação de Deus; andaremos em caminhos errados enquanto não houver a profecia do alto; quebraremos a cara enquanto não acontecer uma direção divinas.
Até quando andaremos sem o norte de Deus, não pelo fato de que Ele não esteja sinalizando, mas porque estejamos endurecendo os ouvidos e fechando os olhos? A bíblia diz que NAQUELA ÉPOCA... Até quando será também a nossa época de tomar as nossas próprias decisões? Até quando caminharemos o percurso das nossas próprias escolhas? Até quando teremos o cinismo de achar que tudo está bem, quando na verdade  tudo vai tão mal, mas que não queremos assumir? Até quando seremos falsos conosco mesmos para não admitir que já estamos cansados de bater com a cara na parede e ir contra a vontade de Deus para nossas vidas? Até quando iremos de encontro ao plano que Ele tem para cada um de nós?
Se você está no caminho e tem convicção de que está indo na direção certa, amém. Mas se não, seja sincero consigo e evite maiores tragédias na sua vida. Porque a vontade de Deus é perfeita e andando nela poderemos estar nos guardando de sérios e talvez mortais laços do inimigo contra nossas vidas.
Em Cristo, que deseja nunca nos deixar sem a escolha da decisão correta.

Jahilton Magno
São Luis, 12.07.10

magnopoema@hotmail.com
jahiltonmagno@yahoo.com.br