DIA DE FINADOS - UM CHAMADO À RECORDAÇÃO E AO APRENDIZADO

DIA DE FINADOS
“Desde o século II, alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Também o abade de Cluny, santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os PapasSilvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1 de novembro é a Festa de Todos os Santos.” Essas informações tomei do site www.wikipedia.org, só para nos dar uma ideia da historia e da tradição do dia de finados. Porém, eu quero ir um pouco mais além do que foi instituído – lembrando que não quero entrar em discussão do que venha a ser verdade para o católico ou para o evangélico, ou quem esteja com razão nesse assunto, já que ele é deveras polêmico.
O que me instigou a escrever não é apenas a recordação de quem passou, de quem deixou saudades, de quem marcou história, de quem, em algum momento da vida, desempenhou papel importante, ou de lembrar quem, tão insanamente, veio a cometer um ato de crueldade há tanto tempo que até hoje deixa marcas profundas e dolorosas naqueles que ainda vivos estão. Não quero tratar sobre isso, não. A minha intenção é refletir sobre as atitudes em vida dos que já foram; refletir sobre as intenções e os valores que balizaram as vidas dos que já passaram; refletir sobre como comandaram suas vidas e como caminharam as suas trajetórias ao longo da sua permanência no planeta terra.

Mais importante do que a história que particularmente chegou ao fim para cada um que nós possamos estar lembrando agora nesse dia – creio que realmente muitas pessoas têm alguém para recordar –, é a trajetória da vida que enraizou, no tempo e nos corações valores, ou vícios, lições ou loucuras, vitórias, ou perdas, avanços, ou retrocessos, alegrias eternas, ou tristezas infinitas, lembranças doces para o resto da vida, ou doloridos insights na mente. Quero trazer à minha memória a lembrança dos que já se foram em suas essências quando ainda vivos, respirando, construindo, criando, acertando, errando, vivificando, ou mesmo assassinando, caso seja necessário. Por que e para que? Para entender que todas as atitudes construídas no passado ainda ecoam de forma benéfica ou maléfica em minha vida.

Hoje é dia para lembrar a vida. O que ficou? O que se eternizou? O que motivou? O que ecoa ainda sobre minha vida, deixado pelos que partiram? Em especial e particular trago a minha recordação a lembrança da pessoa da minha vó. Sua vida de oração, seus joelhos já enegrecidos e calejados pelas décadas de oração, seu espírito sempre confiante no Senhor, seu amor incondicional pela sua família, sua paciência perseverante e acima de tudo a certeza de sua partida um dia para os braços do Pai; um sentimento de desapego deste mundo, do qual o apostolo fala que somos apenas peregrinos em terra estranha.
Hoje eu trago à lembrança isso. E isso me traz esperança. Era a oração de Jeremias ao Senhor: Quero trazer à memória aquilo que traz esperança. Lamentações 3:21. Que realmente eu traga à minha memória os exemplos da minha vó, sua atitude diante da dor de saber que estava com câncer, vencendo-o com sua fé no Senhor; sua atitude de inabalável fé quando anos mais à frente sofreu um derrame e, mesmo assim, não hesitou em dizer-me no leito do hospital que ainda confiava no Senhor; trago à memória a certeza de ver sua fé que sempre dizia O MEU REDENTOR VIVE. Isso balizou a vida da minha vó. Não posso fazer mais nada por ela, mas a sua vida e não a sua morte ainda fazem ecos de fé que reverberarem dentro da minha alma.
Hoje é dia de finados, mas quero lembrar-me da vida da minha vó em particular, das suas atitudes, da sua fé, que ainda mexem comigo.
Obrigado, Senhor, por ter me dado uma pessoa tão significativa. E mais ainda: lembro de ti, Jesus, não como morto, mas vivo eternamente á destra de Deus Pai, deixando o exemplo a ser seguido. TU REINAS SOBRE A MORTE E SOBRE A VIDA. TU ÉS SENHOR.

NaquEle que é vida e vive eternamente e, morrendo, outorgou-nos a vida.

Jahilton Magno

02.10.11