DIA DE FINADOS - UM CHAMADO À RECORDAÇÃO E AO APRENDIZADO

DIA DE FINADOS
“Desde o século II, alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Também o abade de Cluny, santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os PapasSilvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1 de novembro é a Festa de Todos os Santos.” Essas informações tomei do site www.wikipedia.org, só para nos dar uma ideia da historia e da tradição do dia de finados. Porém, eu quero ir um pouco mais além do que foi instituído – lembrando que não quero entrar em discussão do que venha a ser verdade para o católico ou para o evangélico, ou quem esteja com razão nesse assunto, já que ele é deveras polêmico.
O que me instigou a escrever não é apenas a recordação de quem passou, de quem deixou saudades, de quem marcou história, de quem, em algum momento da vida, desempenhou papel importante, ou de lembrar quem, tão insanamente, veio a cometer um ato de crueldade há tanto tempo que até hoje deixa marcas profundas e dolorosas naqueles que ainda vivos estão. Não quero tratar sobre isso, não. A minha intenção é refletir sobre as atitudes em vida dos que já foram; refletir sobre as intenções e os valores que balizaram as vidas dos que já passaram; refletir sobre como comandaram suas vidas e como caminharam as suas trajetórias ao longo da sua permanência no planeta terra.

Mais importante do que a história que particularmente chegou ao fim para cada um que nós possamos estar lembrando agora nesse dia – creio que realmente muitas pessoas têm alguém para recordar –, é a trajetória da vida que enraizou, no tempo e nos corações valores, ou vícios, lições ou loucuras, vitórias, ou perdas, avanços, ou retrocessos, alegrias eternas, ou tristezas infinitas, lembranças doces para o resto da vida, ou doloridos insights na mente. Quero trazer à minha memória a lembrança dos que já se foram em suas essências quando ainda vivos, respirando, construindo, criando, acertando, errando, vivificando, ou mesmo assassinando, caso seja necessário. Por que e para que? Para entender que todas as atitudes construídas no passado ainda ecoam de forma benéfica ou maléfica em minha vida.

Hoje é dia para lembrar a vida. O que ficou? O que se eternizou? O que motivou? O que ecoa ainda sobre minha vida, deixado pelos que partiram? Em especial e particular trago a minha recordação a lembrança da pessoa da minha vó. Sua vida de oração, seus joelhos já enegrecidos e calejados pelas décadas de oração, seu espírito sempre confiante no Senhor, seu amor incondicional pela sua família, sua paciência perseverante e acima de tudo a certeza de sua partida um dia para os braços do Pai; um sentimento de desapego deste mundo, do qual o apostolo fala que somos apenas peregrinos em terra estranha.
Hoje eu trago à lembrança isso. E isso me traz esperança. Era a oração de Jeremias ao Senhor: Quero trazer à memória aquilo que traz esperança. Lamentações 3:21. Que realmente eu traga à minha memória os exemplos da minha vó, sua atitude diante da dor de saber que estava com câncer, vencendo-o com sua fé no Senhor; sua atitude de inabalável fé quando anos mais à frente sofreu um derrame e, mesmo assim, não hesitou em dizer-me no leito do hospital que ainda confiava no Senhor; trago à memória a certeza de ver sua fé que sempre dizia O MEU REDENTOR VIVE. Isso balizou a vida da minha vó. Não posso fazer mais nada por ela, mas a sua vida e não a sua morte ainda fazem ecos de fé que reverberarem dentro da minha alma.
Hoje é dia de finados, mas quero lembrar-me da vida da minha vó em particular, das suas atitudes, da sua fé, que ainda mexem comigo.
Obrigado, Senhor, por ter me dado uma pessoa tão significativa. E mais ainda: lembro de ti, Jesus, não como morto, mas vivo eternamente á destra de Deus Pai, deixando o exemplo a ser seguido. TU REINAS SOBRE A MORTE E SOBRE A VIDA. TU ÉS SENHOR.

NaquEle que é vida e vive eternamente e, morrendo, outorgou-nos a vida.

Jahilton Magno

02.10.11

CONHECIMENTO PARA A VIDA ETERNA


 “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.” Os 6:3
“E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro...” Jo 17:3

Talvez o maior desafio da humanidade seja esse: conhecer a Deus. A vida eterna, diz o apóstolo João, é conhecer a Deus. Oséias exorta: conheçamos. Se existe uma ordenança a que conheçamos é porque no fundo não conhecemos. Deus não se conhece em livros; não conhecemos a Deus em enciclopédias ou compêndios, ou mesmo numa sala de aula de teologia, porque Teologia verdadeira é a experiência que se absorve através de uma íntima relação com o Criador.  

Conhecer a Deus é, antes de tudo, ter uma real visão de si mesmo, diante da santidade de Deus. Ambas as naturezas se encontrando e se confrontando em suas essências: a santidade de Deus e a minha pecaminosidade. Ao deparar-me com a santidade de Deus automaticamente considero em mim a minha insuficiência como ser humano, a minha limitação e a minha incompletude. Deus é santo e eu sou pecador. Deus é tudo e é completo. E essa consciência só é possível se eu tiver conhecimento da pessoa de Deus. Tenho que conhece-lo. 

O contrário disso é idolatria, pois se não o conheço e não O adoro, certamente adorarei outro deus. Seja ele eu mesmo, ou a minha forma de vida, os meus bens, a minha família, a minha igreja, a minha crença, os meus objetivos, os meus planos para uma vida de sucesso, onde apenas enxergo o que quero e o que me importa. Desconhecer a Deus é se permitir na alma a perpetuação do estado de queda, alienada de Deus, com todas as suas nuances, todas as suas facetas. Ignorar a Deus em sua santidade é se permitir continuar em estado de ignorância quanto ao seu amor e ao seu plano de redenção da alma humana, realizado em Jesus Cristo.
Isso é idolatria, pois se não adoramos ao Senhor, na beleza da sua santidade, vamos vivendo guiados pelos nossos instintos e pelos moldes com que o mundo vai adornando o nosso espírito. No entanto, ambos – nossa estrutura psico-espiritual e o mundo – opõem-se ao padrão do Altíssimo. E o nosso deus vai se mostrando através dos nossos comportamentos e das nossas atitudes, das nossas psicologias e filosofias, da nossa antropologia e da nossa psiquiatria. Se não adoramos a Deus, adoramos a qualquer outra coisa ou pessoa, de modo que isso é perfeitamente viável, sustentável e concreto. Ou Deus está no comando, ou outra coisa está. E essa outra coisa posso ser eu, pode ser alguém, pode ser algo.

É o que resulta de não conhecermos a Deus, pois quando o conhecemos percebemos que a vida toma outros rumos contrários a tudo que vivíamos, acreditávamos, defendíamos e até certo ponto poderíamos morrer. Não há meio termo. Ou adoramos a Deus pelo conhecimento experimental dEle mesmo, através da obra de Jesus Cristo na cruz do calvário, ou O ignoramos em nossa falta de conhecimento dEle.

Quando desconhecemos a Deus somos capazes das maiores atrocidades; podemos ser atores dos mais repugnantes papéis de desafetos e desamor para com a alma humana, seja ela a nossa mesma ou a do próximo. Quando desconhecemos a Deus nos vestimos de adornos de falsidade para viver a vida como se ela fosse totalmente descomprometida e descompromissada de Deus, como se a vida não tivesse com Deus aliança, e fosse desposada de fidelidade e temor, de amor e respeito, de adoração e louvor, de gratidão e reverência para com o Criador da vida. É assim que se vive longe de Deus e de muitas outras formas ainda, das quais a alma humana é capaz de protagonizar no palco da vida. Viver longe do conhecimento de Deus é viver somente o projeto humano, onde não cabe o projeto divino; desconhecer a Deus é viver as loucuras dos sofismas e das filosofias que geram morte e não a vida eterna; viver como se Deus não existisse, é viver nas vãs afirmações de que a vida é apenas vivida no carpe diem e nada mais, e fora disso nada mais tem sentido. Desconsiderar Deus é aprovar a insanidade da alma e a loucura do espirito, deixando-se órfão pelo verdadeiro Pai. Desconhecer Deus é entregar-se aos desvarios da alma e às concupiscências da carne, fazendo o que é lógico, bom e proveitoso, segundo o que acredita.

Por isso e muito mais, é necessário CONHECER, e o conhecimento obtido hoje não é total, é apenas parcial. O que é conhecido hoje deve ser ainda mais conhecido amanhã, por isso prossigamos. Por isso o apóstolo Paulo disse: Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido (1 Coríntios 13:12). Se já adquirimos algum conhecimento, por mínimo que seja, andemos segundo o que já conquistamos e rumemos na caminhada em busca de mais de Deus para nossas vidas, porque até onde chegamos ainda não é completo, é como que fosse por espelho, não é completo. Essa é a vida eterna: conhecer o único e verdadeiro Deus que é o Pai do Nosso Jesus Cristo. Conhecê-lo deve ser o alvo de todo ser humano, conhece-lo guiará nosso entendimento para que ele não se esbarre nos devaneios das filosofias errôneas e nas falácias acerca do que não se deve perder tempo.

NEle, que busca um povo que o busque para manter um relacionamento de conhecimento e amor em Cristo Jesus.
Jahilton Magno
São Luís, 11.10.11

magnopoema@hotmail.com
jahiltonmagno@yahoo.com.br

O PRINCÍPIO DA INSERÇÃO PARA COMPREENSÃO




“O amor não busca os seus próprios interesses.” I Co 13.5

Em nossas experiências de vida, sejam elas em ambiente familiar, escolar, profissional, sentimental, enfim, todos nós temos histórias para contar de relações e relacionamentos complicados, de rupturas, de dores, de falta de compreensão, de falta de amor, de atitudes extremamente egoístas. O egoísmo do ser humano é algo tão difícil de descrever e compreender em suas razões e motivações. O egoísmo anula possibilidades de reconciliações, fragmenta relacionamentos, faz sucumbir as pontes das amizades, afunda as motivações de reencontros, destrói as chances de abraços, emudece as frases de amor, inutiliza os gestos de fraternidade, engessa as intenções de misericórdias.
O egoísmo é algo totalmente maléfico, pois somente faz a pessoa ver a si mesmo como centro das coisas, objeto do amor, dono da verdade, alvo das expressões de carinho, onde nunca ninguém pode vir em primeiro lugar. Ele causa uma cegueira no que diz respeito ao que está ao redor, e a visão só capta minuciosamente o que está em si.
Quando as relações começam a se esvair, pode buscar em suas razões e se não estão por lá as raízes do egoísmo. A sociedade nos ensina que não devemos dar o braço a torcer, que não devemos dar o nosso direito. A gente cresce com essa mentira vinda do inferno e vai se acostumando com ela e moldando os nossos relacionamentos e regendo-os segundo esse aprendizado. O resultado disso são casamentos acabados, amizades destruídas, esfacelamentos pelas famílias, desordens psicológicas e muitas doenças psicossomáticas.
O egoísmo vê tudo de si, tudo em si, mas não permite ver o outro lado da moeda; não permite ver o próximo nem longe, muito menos perto; não permite vislumbrar que uma simples auto colocação do outro lado da história poderia mudar os rumos. O princípio da palavra é bem claro: faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você. O que você gosta? O que te alegra? O que te traz sorrisos? O que te emociona? O que carrega tua alma de prazer e felicidade? O que te faz derramar lágrimas de satisfação por experimentar uma determinada situação?
As respostas a essas perguntas são as atitudes que você deveria ter para com o próximo. E digo mais: inserir-se, mesmo que mentalmente, no quadro existencial do outro lhe traz uma visão desconhecida de uma situação que se está vivendo numa relação em desgaste. Pois o egoísmo apenas lhe permite ver a si próprio como o ferido(a), o não amado(a), o trocado(a), o abusado a), o incompreendido(a), o(a) passado(a) para traz, o(a) sem sentimento, etc. A luneta usada é em forma de U: o espelho está apenas em direção a si mesmo.
É necessário trocar essa luneta e coloca-la em forma reta e correta, a buscar avistar bem longe o outro, EM SUAS TOTAIS EXPERIÊNCIAS, EM SUAS LUTAS, EM SUAS AMBIGUIDADES, EM SUAS NECESSIDADES, EM SUAS TORTUOSIDADES, EM SUAS FRAGILIDADES, EM SUA REALIDADE COMO ALMA HUMANA, COM TAMBÉM EM SUA BELEZA INTERIOR. Quando o egoísmo abrir espaço para essas atitudes, as relações sairão de temperaturas abaixo de zero e começarão a ter o grau de amor e acolhimento se elevando dia a dia até que atinja um clímax de reciprocidade e respeito mútuo, até que encontre as raízes do perdão e da busca do interesse do outro, fazendo do próximo, não apenas um substantivo comum, mas uma pessoa real, dotada da necessidade de amor.
Quando a inserção para a compreensão começa a reger as nossas relações, todas as nossas razões para não perdoar estilhaçam-se e se fragmentam; quando a inserção mental começa a ser de todo verdadeira, a paz é gerada, as relações são reconstruídas, as amizades são arrancadas dos calabouços mentais nos quais estão trancafiadas; quando a inserção para a compreensão existe como princípio de vida, a harmonia, ora perdida nos entraves da vida e nos embates dolorosos, volta a passear nos jardins do nosso coração; os abraços, já tão desacostumados, começam a contracenar no palco da nossa vida; o sorriso, outrora perdido, apresenta-se como que puxando o restante de um carrossel de sentimentos derivados do amor.
O amor e o egoísmo se opõem. Onde o egoísmo tem sua bandeira estendida, tenha certeza de que os habitantes dessa nação são rancorosos, não perdoadores, sem sorriso, sem amor, olhando apenas para si e nunca veem no próximo a chance de estabelecer um diálogo que leve a uma relação amorosa e amistosa, depois de certos conflitos. Por outro lado, onde a bandeira e o estandarte é o amor, saiba que as relações são amistosas, as diferenças são respeitadas e aceitas, as desavenças são perdoadas e a busca pelo interesse do outro sempre está em primeiro lugar.
Não destrua seus relacionamentos pelo simples fato de você achar que a sua verdade é a única verdade, e que o outro tem por obrigação fazer melhor para melhorar o relacionamento de vocês. Não deixe que o mar do rancor inunde sua alma e faça com que nunca mais se vejam os barcos da felicidade e da harmonia navegarem nele. Fazendo assim, você está sendo bem-aventurado.,

NaquEle que me ensina que perdoar é dar continuidade aos relacionamentos.

Jahilton Magno

26.09.11

EM BUSCA DA VISÃO CORRETA


Hoje fiquei tomado pelo assunto sobre visão depois que li um status no facebook de uma amiga. Lá, fiz um comentário e como ela estava online no momento, começamos então a conversar sobre o assunto. Então, resolvi pensar e refletir sobre o assunto: VISÃO. A primeira chance que temos contato histórico com essa palavra é na bíblia (Gn 1.-4). Lá ela indica que o primeiro ser a VER foi Deus. Ao afirmar que a visão de Deus sobre o que construiu lhe foi agradável, no primeiro capítulo do livro de Gênesis,  não nos impede de concluir que, muito antes, Ele também teve a visão que o levou a uma ação: a de construir a luz. Deus viu que a escuridão não era boa, e consequentemente fez a luz. Essa é uma visão inspiradora.
Ver é algo tão particular. Posso ver sem pelo menos indicar a ninguém que vi o que quer que tenha visto. Uma visão pode ser algo guardado para si próprio até o fim da vida. Ou pode ser algo compartilhado com mais alguém, ou com uma família, ou uma comunidade, ou uma nação. Visão pode ser fruto da capacidade de enxergar além do que na verdade se apresenta. A visão pode ser concebida nas entrelinhas das apresentações dos fatos. Isso é capacidade intrínseca a homens e mulheres diferenciados pela sensibilidade. Há seres humanos que vivem nessa busca pelas condições de mudança. São homens e mulheres que tem faro, pois sabem que ter visão é automaticamente ter diante de si a porta para a ação.
Mas visão não se limita somente a isso, como escreveu minha amiga e assídua leitora deste blog: “Visão sem ação não passa de sonho; ação sem visão é só passatempo; visão com ação pode mudar tudo...”. Acrescento alguns comentários, nas poucas linhas que me cabem, aproveitando a definição acima, e tocando somente na afirmação: “ação sem visão é somente passatempo”. Para isso lembro-me dos discípulos de Jesus (Mt 14.22-36). Após algum tempo andando com o Mestre, tiveram uma experiência sobrenatural com Jesus. Quando estavam numa situação extremamente complicada que era uma tempestade pela qual passava embarcação deles, altas horas da madrugada, Jesus vem andando sobre o mar. Todos viram, assustaram-se, e disseram: é um fantasma. Disseram que Jesus era um fantasma. Visão sem correta interpretação, sem correto discernimento é visagem e a possibilidade de deixar de ver a glória de Deus.
A questão não é o que se vê, mas como verdadeiramente se vê o que se apresenta. Jesus não se apresentou de outra forma, mas como sendo apenas Ele mesmo. Porém, o medo e a impossibilidade de ver o tamanho da grandeza de Deus, criador dos céus e da terra, não puderam conceber na visão dos discípulos a pessoa de Jesus. Por quê? Porque a visão não era correta, não era possível fugir aos paradigmas já existentes. Quando isso acontece, torna-se visagem qualquer visão. Apresenta-se como visão, mas é interpretada como visagem.
Mas a bíblia e a vida nos mostram muitas outras situações sobre visão e visões que podem muito nos ensinar a olhar corretamente e evitar os problemas decorridos de uma visão distorcida. Há uma cura de Jesus que nos traz outra situação: um cego é curado (Mc 8.27-31) e logo a primeira visão que ele tem é de homens como árvores que andam. 
Logo em seguida Jesus completa a obra de cura da sua cegueira e lhe restabelece total e perfeitamente a visão. Outra situação extremamente peculiar foi a experiência do Apóstolo Paulo que foi arrebatado ao terceiro céu (II Co 12:1-4), mas não disse nada a ninguém sobre o que viu e ouviu da parte de Jesus.
No caso do cego, Jesus disse para que ele a ninguém contasse nada. Paulo afirma que não é lícito ao homem falar. Em ambos, as visões foram algo que mudou total e radicalmente suas vidas. A visão ou visões pode causar isso: um impacto para o resto da vida, desde que se saiba como se relacionar com o que se aprende com tais experiências. O cego certamente após esse episódio abriu os lábios para dizer o que Jesus lhe tinha feito. E o apóstolo aprendeu que a grandeza das revelações que lhe foram concedidas era para aprender que a graça do Senhor Jesus lhe bastava.
Nas quatro visões temos lições: Deus viu e agiu; os discípulos viram e não discerniram a sua visão; o cego viu e logo não compreendia o que via, via como que tortuosamente e era-lhe necessário mais uma ação de Jesus em sua visão; Paulo viu e aprendeu que mais importante do que o que se vê, ou do que se experimenta, é a graça de Jesus que foi concedida a todo pecador lá na cruz com o sacrifício do Filho de Deus.
Tem tantas outras talvez milhares de visões como exemplos na bíblia. Mas reflitamos sobre essas quatro visões: A VISÃO QUE CONSTRÓI E MUDA A REALIDADE; A VISÃO QUE IMPEDE DE VER CORRETAMENTE O QUE ESTÁ DIANTE DOS OLHOS; A VISÃO QUE PRECISA SER RE-ESCRITA, RE-DESENHADA, RE-FORMADA; E A VISÃO QUE GERA SUFICIÊNCIA SOMENTE NO PODER E NA GRAÇA DE DEUS.
Que nossas visões busquem estar se adequando a visão que Deus tem de nós e para nós.
NaquEle que tem uma visão correta de cada um de nós e quer nos ensinar isso.
Jahilton Magno
São Luis, 20.09.11

INCENTIVAR É DEMONSTRAÇÃO DE AMOR


Ontem eu fui acompanhar meu irmão mais velho em sua caminhada diária na luta para diminuir seu peso, melhorar a sua pressão sanguínea e também diminuir o seu colesterol. Essa luta é um alívio para a família que sempre se preocupou com o excesso de peso, que consequentemente traz muitos problemas acompanhados. Essa atitude dele é, de fato e de verdade, uma vitória para nós, e acima de tudo para ele, ao passo que a sua saúde vai agradecer e vai responder instantaneamente (isso já está acontecendo).
Mas ademais tudo isso, ontem algo me chamou mais a atenção que essa alegria minha e dele: foi um comentário feito por alguém que também pratica essa caminha, esse cooper diário para melhorar a saúde. Um comentário desestimulante, fruto de um espírito que considero medíocre. Pois uma das formas como a mediocridade se apresenta é conseguir conceber no outro vitorias, sucesso, crescimento ou melhoras. Essa é a típico retrato da alma humana. O ser humano, na maioria das vezes, no fundo do seu coração não consegue aceitar o fato que no outro também pode haver evoluções, paz, alegria, casamento abençoado, família serena, emprego estável, aprovações em concursos, relacionamentos sólidos, ministério crescendo, negócios indo de vento em popa. Isso é diabólico, é sinistro, atrevo-me a dizer.
Este sentimento ele é depreciativo e quem tais pessoas praticam andam na contramão do projeto de Deus para alma humana. Este sentimento vai de encontro à criatividade, e às possiblidades de mudanças e de conquistas na vida. Esse sentimento, que não se encarcera apenas na alma humana, toma proporções negativas de uma profundidade indizível. Pois o alvo, por exemplo, de um comentário maldoso pode causar estragos incalculáveis, visto que nem toda alma é preparada para lidar com situações com essas.


O detalhe é que realmente em nosso dia a dia mais vemos o empurrão rumo ao buraco que o apoio que nos aproxima da vitória e do sucesso. Por quê? Porque o mundo está cheio disso. Jesus disse: A boca fala do que está cheio o coração. É impossível aguardar algo diferente se na verdade as pessoas não podem dar o que não tem. A sociedade está enferma e se enfermando cada vez mais, em sua busca pela individualidade e independência, perdendo a capacidade de amar, de sentir, de interagir, de tecer teias que servirão para a vida toda, de construir relacionamentos bordados por incentivo, generosidade, amizade e preocupação com o bem-estar do próximo.
Se já não bastassem as lutas diárias que naturalmente se nos acomete a vida, ainda temos que lutar contra os algozes humanos: pessoas que nunca vislumbraram, em suas experiências de vida, a possibilidade, ainda que fragmentada e tímida, de permitir que suas almas se abracem a atos de amor e caridade. Incentivar não dói, não desgasta e não envolve nenhum custo. Mas a alma desses seres humanos está num estágio para lá de caído. Essas almas não se permitem a nobre arte de ser humana, no mais literal, poético ou cientifico que se queira analisar.
Incentivar pode ser o inicio de revoluções, a manjedoura das descobertas, o útero das mudanças. Mas quem sabe o ato de incentivar seja muito mais ainda a permissão que se dá a alma de quem pratica de descobrir que tão singelo ato pode causar na história (seja pessoal ou mundial) a reedição da vida. Quando Jesus se deparou com aquela mulher pega em pecado de adultério, ela já via a morte como algo certo para aquele momento em sua vida. Os seus acusadores já estavam a um passo de lhe aproximarem da morte. Ai Jesus entra na historia dela e muda definitivamente. Quando diz para que jogue a primeira pedra quem não tiver pecado, ele não apenas afasta dela a morte e os acusadores, mas lhe devolve o fôlego da vida que ela já estava sentindo lhe escorrer pelas mãos naquele momento.
Jesus a encontra e a incentiva àquilo que, mesmo em frações tão diminutas, ela ainda tinha dentro de si: vontade de viver, vontade de mudar, vontade de ter mais uma chance. Ai Jesus vem e redireciona sua vida e a estimula: vá e não peques mais.
Talvez o mundo esteja perdendo a sensibilidade para saber o valor do incentivo, do estímulo, do apoio, do estender as mãos, do companheirismo e da amizade. Perde também a oportunidade de vislumbrar quadros pintados com cores da própria alma humana, esculturas pontificadas com toques da sensibilidade humana, descobertas que somente serão possíveis porque houve, há e haverá uma simples palavra: vá lá, eu acredito em você.

NaquEle que não apaga a pavio fumegante.
Jahilton Magno
30.08.11

O CUIDADO ANTECIPADO DE DEUS PELAS NOSSAS VIDAS


Deus preparou todo o ambiente do Jardim do Éden antes mesmo de colocar Adão lá, para que pudesse viver nele, governá-lo e usufruir todos os benefícios dos quais o Criador, de antemão, tinha construído. Houve intensa atividade divina: criação dos céus, da terra, separação do dia e da noite, criação dos animais, do rio, da natureza com toda a sua estrutura bem organizada e trabalhada por Deus. Costumo dizer que existe uma conspiração de Deus a favor do homem sempre, de forma ininterrupta, a fim de desencadear no coração humano a consciência de que o Senhor está no controle de tudo, que Ele o ama, e que a Ele deve prestar culto e adoração.
Existia de antemão uma conjuntura que se destinava para que o homem fosse o gestor organizacional deste empreendimento de Deus. Mas antes mesmo de colocar em suas mãos, Deus certificou-se de que estava tudo sob controle. Ou seja, estava completo. A completude é uma das marcas da obra divina. Ele não entregaria nada incompleto nas mãos do homem. E depois dessa ação é necessário que se atente para o versículo 15 onde fala que Deus colocou o homem no jardim. É Ele quem coloca. Não adianta tentar ir por conta própria, andar na direção, buscar chegar até lá, dar passos até mesmo acelerados rumo ao Jardim, preparar-se da melhor forma, usar mecanismos os mais variados possíveis, nada disso adianta. Deus é quem coloca lá. E saibamos que o jardim não é um fim em si, mas parte do processo de Deus para trabalhar o homem.
Deus não queria uma vida ociosa para Adão, pelo contrário, queria-o ativo, participante, misturado à terra e as plantas. Nunca foi projeto de Deus a ociosidade para o ser humano. Antes, o desenho é fazer dele atuante na história e na construção da vida. Agir no jardim, atuar no jardim, co-elaborar no jardim, dar-se ao jardim, trabalhar no jardim, cultivar o jardim, cuidar do jardim. A construção de Deus é fazer o homem umbilicalmente ligado ao Jardim que Ele tão perfeitamente criou. O jardim precisa de cuidados, precisa da mão humana, precisa da intervenção humana, ação esta que não pode ser permutada por outra; nem mesmo negligenciada, pois é propósito de DEUS: 1 – COLOCAR O HOMEM DENTRO DO JARDIM; 2- FAZÊ-LO AGIR E INTERAGIR NELE.
Toda essa ação divina objetivava, antes de tudo, a Sua própria glória. A bíblia afirma que céus e terra testemunham a glória do Altíssimo. O firmamento fala a respeito da força do Seu poder: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” Sl 19.1. A criação do homem também buscou esse objetivo. Não somente a sua criação como também a atividade que ele desenvolveria: cuidar do jardim de Deus. O Criador não criou o jardim para si próprio, mas criou-o para o homem. Essa relação homem-jardim traria glória para Deus. O homem deveria lavrar e guardar. Ou seja, existia no coração de Deus o desejo intrínseco de que todas as habilidades e capacidades do homem fossem utilizadas nessa tarefa de cuidar do jardim. Dando a ele esta responsabilidade, é lógico que esperaria ter cumprida a obrigação, porque tinha ele as condições, aptidões e competências necessárias para tal.
Adão foi o primeiro profissional do mundo, e ao cuidar do jardim ele o fez de forma muito especial, pois para trabalhá-lo era necessária perícia, destreza, força, competência, habilidade, sensibilidade e vocação. E ele foi vocacionado pelo próprio Deus para esta função. O apóstolo Paulo que Deus efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dEle. Era desejo divino, propósito divino, vontade divina, projeto divino. Aprendemos que todas as responsabilidades a nós direcionadas e outorgadas terão em nós, pela vontade e poder de Deus, a plena capacidade de serem efetivadas para a sua glória. Deus não disse ‘vai adão e faça’ sem que Ele não visse as plenas competências existentes no próprio homem, colocadas pelas mãos divinas quando da sua criação.
Aprendamos que não nos adianta usarmos das nossas forças, capacidades e competências e muitos menos bens, pois não é através de tudo isso, mas do Espirito de Deus que as coisas de Deus foram, são e serão construídas. Deus nos colocará, será ação de Deus, manifestação dEle, mover dEle, intercessão dEle, construção dEle em nossas historias, ministérios, casamentos. E mais divino ainda é mostrar que é através de nós. Os jardins serão cuidados por nós por capacitações que nos foi outorgada em Cristo Jesus. O Éden significa delicias. Que possamos cuidar das delicias que o Senhor nos confiou, sabendo que Ele está no controle de tudo e que a Ele toda é a honra e a gloria pelos séculos dos séculos.

NaquEle que antes da fundação do mundo já havia preparado tudo para sua própria glória

Jahilton Magno

São Luís, 30.08.11



A NOBRE ARTE DE SER FOCADO



“Sabendo Jesus que pretendiam proclamá-lo rei à força, retirou-se novamente sozinho para o monte.”
Jesus sempre vai ser exemplo de determinação para quem quer um. Não somente por ser filho de Deus e ter a maior das missões e o maior objetivo que possa existir sobre a terra, que é a de redimir a alma humana e conseguí-lo com sua morte na cruz e sua ressureição, mas pela forma como Ele alcançou seu objetivo. A vida de Jesus é um exemplo vivo de princípios de determinação, perseverança, objetividade.
Esse exemplo fica-nos como um alto padrão que deve ser buscado. Lembremos que as piores pressões psicológicas eram vividas por Jesus, ao passo que Ele buscava fazer a vontade de Deus. Mas sempre deixava claro: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” João 6.38. Em suas constantes recordações sobre a missão, Ele já nos deixa um princípio: é impossivel continuar uma caminhada em busca de um objetivo sem que não se esteja colocando o foco sempre presente e sempre diante dos passos. Não se pode continuar a caminhada esquecendo-se que existe um foco, um ponto definido, claro e reverberando diuturnamente na mente. Ele disse ‘eu desci do céu para’. Existe uma finalidade; ele anda os passos da sua vida de forma inabalavelmente centrada, com idas e vindas pré-determinadas.
Porém, isso não se dá na gestação da facilidade, não se constrói nos compassos da inoperância, não se delineia nos aplausos, não se borda com linhas da incompetência e da inércia. Pelo contrário, manifesta-se dentro das piores possibilidades possíveis, pois tão alto foco e tão divino projeto somente seria verdadeiramente concretizado nas entrelinhas dos desafios. E um dos maiores (quem sabe o maior deles) seria esquecer o essencial diante de uma situação onde haveria a possibilidade pela troca com o trivial.
Sim, quando nos colocamos focados na luta por algo, não são poucas as circunstâncias em que nos depararemos com situações de extrema delicadeza. Foi dessa forma com o Mestre dos mestres. Ele acabara de realizar um milagre. Logo após o povo saber disso, buscaram-no para fazê-Lo rei. Mas Ele, sabendo disso, retirou-se. Uma outra carcterística que Jesus nos ensina é que quem está focado não perde a sensiblidade de perceber que existe uma discrepância entre o que se busca como objetivo e o que se apresenta como objetivo. Jesus buscava fazer a vontade do Pai e sabia que, ao fim do seu triunfo, seria coroado Rei dos reis. Mas ele não perde a sensibilidade que discerne o que é vontade de Deus e o que nao é. Quando se está focado, entende-se o que é louvor de Deus e louvor dos homens, diferencia-se o que é efêmero do que é eterno, o que é essencial do que é trivial. Quando se está focado há um discernimento que leva a saber que a hora da solidão é divino quando a multidão parece direcionar o contrário. 
Não existe negociação, nem barganhas quando se sabe onde se quer chegar. Jesus já havia passado por isso na tentação do deserto, mas ali, mostrou também que, quando se está centrado em um objetivo, encontra-se sensiblidade para compreender as propostas tanto do diabo quanto da própria vida que se chocam com os propósitos pelos quais se está lutando.
Trata-se de um assunto que ainda existem muitos outros princípios, mas eu quero terminar enfocando esses dois:
1 – Não  caminhemos em busca de um objetivo sem estarmos diuturnamente lembrando para qual direção estamos indo, pois durante a caminhada não faltarão ventos que queiram levar os nossos barcos para quaisquer outros rumos;
2 – Quando estamos focados, é possível manter a sensibilidade aguçada para perceber quando o barco está tomando um vento contrário aos objetivos traçados lá no início da navegação.
Que Deus possa nos ensinar isso na nossa caminhada. Que possamos aprender com Ele que existe louvor, e honra, e glória para aqueles que estão focados no propósito de fazer a vontade de Deus.

NaquEle que andou perfeitamente o caminho que Lhe estava proposto, amando o Pai acima de tudo.

Jahilton Magno

São Luís, 26.08.11

CUIDE DO SEU JARDIM


Cuidar das necessidades básicas de uma planta é algo vital. Se estiver em jarro ainda, necessita estar ao sol durante alguns momentos do dia, pois os raios solares agem no processo de crescimento e fortalecimento da planta e isso acontece naturalmente. A água cumpre seu papel fundamental hidratando as raízes que conseqüentemente levam os benefícios a todo o restante das partes que compõem a planta. Cabe ao jardineiro desenvolver este papel. Fazer nascer é papel único e exclusivo que Deus deu à natureza para cumprir de maneira maravilhosa o propósito para a qual foi destinada. Em nossas vidas, os jardins em que Deus de maneira sobrenatural e maravilhosa nos colocou (casamento, filhos, trabalho, saúde, relacionamentos, namoro, ministério, bens, família, dons, talentos, capacidades, etc.) exigem de nós o cumprimento da nossa tarefa, semelhante ao papel desempenhado pelo jardineiro. Temos que dedicar ao nosso jardim o esforço necessário a fim de que possamos manter a saúde dele. Temos que levar a ele a água que é vital. Mas é necessário que lembremos que só podemos dar aquilo que temos. É semelhante às palavras assertivamente declaradas de Jesus: a boca fala do que está cheio o coração. Em relação a dar, isso também é real: ninguém pode dar o que não tem. Damos carinho se o tivermos no coração; damos amor se o tivermos cultivando dentro em nós; damos atenção se verdadeiramente a temos em nossa alma; expressamos atitude construtiva a alguém se a vivenciamos em nosso dia-a-dia; abraçamos com perdão se, e somente se, esta experiência for algo já existente em nosso caminhar. Jesus disse que quem cresse nEle, do seu interior fluiriam rios de água viva. Como daremos água se não a temos em nosso coração? Como exalaremos o perfume de Cristo se em nossa própria experiência nem temos sentido esse aroma? Como estenderemos o perdão se o que existe dentro do nosso peito é uma lama de ódio a nos corroer a alma? Como orientaremos a vida de outrem se nós mesmos não sabemos para onde estamos indo em relação aquilo que Deus tem como plano de vida? Mas se a nossa realidade tem nos colocado frente à necessidade dentro em nós mesmos de mudar as realidades que estamos vivenciando, isso já é um grande sinal de que as coisas podem mudar o rumo e água pode, enfim, chegar aos nossos jardins, trazendo vida.
Não conseguiremos dar água a quem tem sede se nós mesmos estamos vivendo uma sequidão de vida tremendamente exaustiva. Não conseguiremos estender a vida aos vários jardins nos quais Deus nos colocou para cuidar a menos que tenhamos dentro em nós a própria vida de Deus. Pois nunca a morte gerou vida, o que não existe não pode vir a existir do nada, porque o nada é inerte. Somente a vida pode produzir a vida, somente a vida de Deus pode produzir a vida de Deus, somente a santidade de Deus pode produzir a santidade de Deus, somente o temor que vem de Deus pode produzir o temor a Deus. Não existe outra condição de existência daquilo que Deus tem para cada um de nós sem que tenha nascido nEle mesmo. A vida do jardim das nossas vidas (seja a própria vida, ou relacionamentos, ou projetos, ou família, ou talentos, ou qualquer outra coisa) não carregará vida a menos que tenhamos a consciência que ela somente pode existir em Deus. Mas se o jardim exige esse cuidado de nós e temos a fonte da vida para nos suprir, corramos então humildemente ao trono da graça a fim de que possamos ser atendidos e levar vida de Deus aos mais variados jardins que o Senhor em sua infinita graça e misericórdia nos tem confiado. Geremos vida de Deus onde quer que Ele nos tenha posto a fim de que a Ele dediquemos, com nossas vidas e atitudes e cuidados dedicados aos jardins que Ele nos deu, toda a honra, glória e louvor. Pois o máximo da nossa capacidade e empenho é o mínimo que podemos fazer, porém Ele com amor e atenção de nós o receberá como aroma suave às suas narinas.

NaquEle que nos presentea com jardins na expectativa que cuidemos com responsabilidade.

São Luís 06.04.200-11

A RAZÃO DE SER E NÃO SER DAS COISAS


Com o tempo a gente vai entendendo tanto a razão de ser como a de não ser das coisas. Entendemos o porquê da dor quando um abraço é desejado e não o temos. Entendemos quando a alma sente necessidade de amizade e apenas de simples – mas extremamente vital – companhia. Talvez porque a ausência com a qual se convive de forma tão dolorosa se instale também de forma tão ímpar. O incômodo trazido pelo buraco deixado reflete na alma pinceladas de quadros tão bem desenhados, inspirados simplesmente pela leveza da própria vida e pelos instantes vividos numa órbita de entrega pelo fato apenas de ser que tem que ser. Creio que por isso começamos a entender a razão de ser das coisas.

Mas consigo pensar na desconstrução do que existe e vai se esvaindo na decomposição do que já não é. O brilho do sorriso esvai-se como que lentamente, deixando apenas um rosto normal, ainda que momentaneamente umedecido por lágrimas que talvez não estejam chorando a perda do que foi, mas de ter perdido tempo e não ter dado certo e não ter sido. O que era amor talvez chega a um momento de questionamentos: ‘era mesmo?’.

Pergunto-me por que não se consegue ver adiante um futuro de esvaziamento e mudança de estados o coração e a mente. Deus ensina através das vivências, quaisquer que tenham sido, com quem quer que se tenha vivido e quaisquer resultados que se tenha alcançado. As lições que se juntam entre os cacos do coração e da alma ajudarão a construir sólidas experiências.

A razão de não ser das coisas pode ser tão construtiva quanto a de ser, pois ambas ensinam que o coração é palco da vida, onde somos os atores, ora vivendo em ambientes de puro amor, esperanças, alegrias, cumplicidade, normalidade, dependência, aconchego, coragem, amizade, superação, confiança, paixão, fogo, tesão, sexualidade, contracenando como principal ou coadjuvante; ora vivendo o sufoco, o desamor, falta de compreensão, mentira, falsidade, ciúme desproporcional, falta de objetivo mútuo, infidelidade, na contramão do projeto de Deus.

Compreendemos então que a razão de ser e de não ser se estabelece na eira das vivências, entre sorrisos e lágrimas, entre filhos que ficam, ou que nunca ficaram porque nunca existiram, ou que foram adquiridos; entre bens que se dividem ou se amontoam; entre perdão que mostra amor para a reconstrução, ou com a falta dele que encerra e decreta em si o fim da relação; entre o abraço tão desejado que sabe se vai ter ao final da tarde, quando um dia de trabalho finda e a volta para casa é certa como certo é ar que se respira; ou como a certeza de que ainda havendo presença, abraço é última coisa que se desejará porque ele não tem feito tanta falta.

A razão de ser se emoldura no sorriso compartilhado, nos olhos que atentam para o outro com gosto de 'quero porque te amo’. A razão de ser se constrói na companhia em meio à dor, quando todos viram as costas, e estende-se ai a mão da prova do que é verdadeiro. A razão de ser se alimenta do calor do elogio, da busca em saber o que está causando qualquer desconforto na alma, ou no coração. Qualquer alteração da velocidade normal da vida e dos passos é motivo para perguntas que objetivam tão somente o bem-estar.

Porém, a razão de não ser de algumas coisas se alicerça na falta de cuidado; a razão de não ser abre as comportas da altivez, da solidão e falta de apoio; a razão de não ser escancara-se abertamente em meio à frieza que trata o ser, ou melhor, não existe um tratar, mas o destratar da alma; a razão de ser escreve linhas na falta da busca do interesse ao próximo; a razão de não ser ecoa com o desfazer de sonhos que se perdem porque já não existe mais força para existir.

Com o tempo, a gente vai aprendendo a razão de ser e de não ser das coisas, porque em sendo ou não sendo, vai deixando marcas profundas com as quais vamos conviver o resto da vida, onde seremos machucados por elas ou muito gratos a Deus por essas experiências. Com o tempo, a gente vai aprendendo que o tempo é o útero das nossas construções: aos nove meses das experiências tão pessoais, tão Íntimas, veremos o resultado do que era para ser ou não ser. E aí a gente vai aprendendo qual a razão das coisas.


Jahilton Magno

São Luís, 01.04.11

FELICIDADE OU INFELICIDADE - A CONSCIÊNCIA É QUEM DIZ


Felicidade é algo que só é real e verdadeiro se concebido conscientemente em Deus. É mais fácil conceber a infelicidade quando se está longe da felicidade. O filho pródigo foi mais consciente diante dos fatos amargos, de suas implicações e dissabores a ponto de ver em seu real estado o que não era felicidade, do que quando a tinha – embora não reconhecesse. Quando diante da presença do Pai, não foi capaz de ter consciência para enumerar e aceitar as bênçãos vindas mediante sua comunhão com o ele, e com isso ser-lhe grato através de atitudes dignas da sua posição: filho.
O filho pródigo conseguiu somente mediante perdas, fracassos, desapontamentos, decepções, traições e necessidades básicas não supridas, perceber o valor da sua própria vida. Ele conseguiu estabelecer uma diferença – experimentalmente de forma dolorosa – entre sua posição social: o que era e que estava sendo. De filho herdeiro a empregado, e não apenas um empregado qualquer, mas dentro de uma hierarquia trabalhista, quase que a menor das funções: cuidar dos porcos. Não que seja desonroso sê-lo. Em Deus, qualquer trabalho é digno. Mas é para atentarmos para a forma como uma existência vira de cabeça para o alto quando se resolve tomar o controle da vida. Somente JESUS CRISTO com toda sua experiência pode conduzir nossa vida, sem que seja de maneira dissoluta e muito menos destrutiva.
A frustração no pródigo foi o chão que ele pisou para andar rumo à consciência da verdade e da felicidade. As perdas fizeram parte do processo de chegada ao verdadeiro objetivo. A liberdade dada pelo pai também é algo pedagógico, pois em toda a sabedoria e experiência de vida – ainda que em meio à dor de ver o distanciamento e a separação do filho, sabendo dos riscos também – ele sabia da necessidade que existia no filho de aprender vivendo e tendo que inevitavelmente ‘quebrar a cara’. O dia da aquisição da consciência pode não vir bruscamente em um só dia, mas pode se desenvolver paulatinamente, mediante as visões que se tem das realidades que se vive. A alma conversa consigo mesma na direção daquilo que se possa chamar de arrependimento. Arrependimento inicial não por aquilo que NÃO SE TEM, mas muito mais ainda PELO QUE SE TEM, sabendo ONDE TEM e que está disponível a qualquer momento.
Essa consciência causa dor, pois ela estabelece comparações do estado atual, com o estado passado que automaticamente dialoga com o estado futuro que se possa viver segundo as escolhas que se faz. SER FELIZ É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA. Ás vezes as escolhas que fazemos nos levarão a momentos amargos, de modo que seremos sempre fruto das nossas escolhas.
E ninguém mais além da nossa consciência poderá nos devolver a luz de que existe um abismo entre O QUE ESTAMOS e O QUE SOMOS, como resultado das nossas opções.
É incrível que na vida parece mais fácil ser consciente quando não se tem do que quando se tem. Os olhos se inclinam a avistar somente a falta, o desassossego, as intempéries, os turbilhões emocionais, as perdas de qualquer ordem; a contemplação se foca no que falta, na mudança de estados, seja social, familiar, profissional, ou qualquer outra; a percepção se abraça às inexistências (falta isso, falta aquilo, falta aquilo outro); a contemplação se liga umbilicalmente às ausências (NÃO HÁ COLO, NÃO HÁ AMOR, NÃO HÁ DINHEIRO); a mirada vê os horizontes de sequidão apenas (sem cônjuge, sem trabalho, sem filho (a)); o discernir é fadado apenas ao temporal (no momento, não vejo Deus, não tenho amigos, me falta companhia); a pupila se dilata vislumbrando na contramão do que se é, em sua mais original natureza, ao passo que o que se está sendo é totalmente contrário à sua própria existência.
Ser feliz é evitar tudo isso, pois vivê-lo por escolha errada é ser infeliz. E termino essa pequena reflexão lembrando que para ser feliz não é necessário primeiro ser infeliz. Não, não. Para ser feliz basta reconhecer o que se tem e o que se é em Deus. NEle e somente nEle é possível ter consciência equilibrada. NEle não existe necessidade de buscar lá fora o que se tem aqui dentro. O que lá está é temporal, frustrante, amargo e destrutivo. O que está lá é dissimulado, tem duas caras. Aqui com o Pai, há alegria e nada falta, pois somente a presença do Amigo Eterno é suficiente para suprir todas as necessidades. Aprendamos que a felicidade é um estado que resulta de escolhas certas em Deus e que infelicidade é simplesmente abrir mão disso. Abrir mão das verdades de Deus é a maior infelicidade do homem, pois deixa de perceber o que tem (que é totalmente pleno) para abraçar o que não é seu e que nunca será. Felicidade é isso: aceitar o que é seu como presente de Deus, nunca se esquecendo disso, como dádiva completa que não admite uma busca por algo que na verdade nunca foi seu e que nem existe.

NaquEle que é tudo para uma pessoa ser feliz.

Jahilton Magno

São Luis, 26.03.11

LUCRANDO COM AS PERDAS


"Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho; de maneira que as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de todos os demais."


Temos a enorme facilidade de perdermos o controle das nossas emoções quando estamos inseridos dentro de uma situação na qual não temos sobre ela as rédeas. Isso é típico do ser humano. É assim quando nos deparamos diante de uma porta de emprego que não abre, quando ficamos sabendo da morte de alguém próximo, ou de uma doença diagnosticada. Enfim, em qualquer dessas ou outras situações que afligem a alma, é muito normal sermos tomados de sentimentos ruins, pensamentos negativos, e idéias contrárias e etc.. Somos invadidos por uma avalanche de sensações desconfortantes que causam em nós até mesmo desorientação emocional, espiritual, familiar, financeira. Isso é normal e tão corriqueiro em nossos dias.
A atitude contaria é que não é normal e é justamente a que espera Deus que tenhamos diante da vida. Porque Ele não nos chama para a normalidade, mas para o reverso dos atos. Agir normal é agir segundo o curso do óbvio, do esperado, d0o já aguardado, do que já está projetado e desenhado. Quando há atitude conhecida de todos, não há surpresa, pois andar segundo as expectativas do mundo em tais situações é simplesmente estar perpetuando o estilo que nunca consegue ver vantagem nas possíveis e visíveis desvantagens. Agir nessa tendência, nessa perspectiva significa abortar lições, represar um mar de possibilidades para o aprendizado, para o novo, para a construção, para a própria vida, privando-se de encontrar-se com benefícios advindos das tragédias.
Não há infortúnio que não possa trazer ensinamentos; não há contrariedades que não venham com baldes de aprendizados, que verdadeiramente só podem ser assimilados dentro de tais circunstâncias. O grande desafio está não em contornar tal situação, mas contornar o meu coração em relação a ela. Que reações serão frutos dessas experiências? Este sim é o grande desafio, pois é sobre esse alicerce que está pavimentada a estrada do amadurecimento e do crescimento.
O apóstolo Paulo está deixando-nos o ensinamento: pense diferente, aja diferente, olhe diferente, assuma uma postura totalmente contrária àquilo que prejudicialmente está acostumando a viver. Este é o benefício a ser aprendido, a ser assimilado, de forma que o discipulado está se cumprindo quando acha contribuição nos ocorridos tão indigestos da vida. O relacionamento acabou? O emprego foi perdido? Perdeu alguém próximo? Nada de sonhos ainda realizados? Quaisquer destas situações têm que encontrar em nossos corações vias de acesso que levem às contribuições aprendidas em Deus.
É extremamente importante que se possa saber compreender os fatos por uma ótica de Deus. É necessário viver assim em circunstâncias ruins e adversas, pois as crises e perplexidades estão para serem vividos a qualquer momento da vida. Saber compreender tais experiências como algo pertencente ao processo pedagógico divino é a lição que o Paulo nos deixa. E não basta apenas saber, mas saber se o que se sabe pode gerar benefícios, criar contribuições, servir de adubo para resultados crescentes e processos novos pelos quais é necessário viver no crescimento. O balde de aprendizados quer nos banhar a alma no ápice das ações dos nossos algozes, de modo que possamos nos limpar das atitudes normais e, assim, vestirmo-nos de ações e reações dignas de estarmos andando com Cristo e por Ele sendo transformados.
Paulo nos está deixando o caminho aberto para andarmos a lição dos proveitos, dos benefícios, dos resultados positivos que nos advém quando exercemos uma postura correta, esperada e ensinada por Cristo. As intempéries, em Paulo, cedem lugar ao crescimento, são a própria matéria prima para ir mais além, descobrir novidades, superar crises, concretizar crescimento da vida, experimentar algo ainda não provado.
Os acontecimentos da vida de Paulo (sua prisão e sofrimento) geraram avanços na pregação do evangelho, no fortalecimento da fé dos irmãos, avanços em sua própria vida.
E na sua, o que as suas realidades estão causando? Avanço ou retrocesso?
NaquEle, que transforma perdas em ganhos apenas com uma atitude correta.
Jahilton Magno
São Luis, 24.03.11

BRASIL , UM PAÍS DE TODOS! SERÁ?

No dia 29 de março de 2009, o Brasil teve a oportunidade de ver no “Fantástico” mais uma vez, um dos grandes absurdos que envolvem nossa nação. Em pleno centro do país, em Goiás, a merenda chega à escola através de mulas. Parece mentira, porém é pura verdade. Um percurso que chega a durar três dias de viagem. No entanto, as autoridades parecem fechar os olhos para essa realidade.
Na reportagem, foi mostrada a escola – se é que podemos denominar aquilo que foi mostrado de escola, pois a estrutura nos remete a um tempo colonial e jesuítico – onde precariamente as crianças são alfabetizadas. Carteiras quebradas, apenas um pedaço do quadro negro; um ambiente dividido sem paredes para duas classes. Enquanto isso, os salários dos deputados e senadores cada vez mais altos e cada vez mais gozando de regalias.
Um Brasil que parece em nada diferente daquele da era colonial. Os governantes fazendo pouco caso da educação. E a pergunta que não quer calar: Onde se encontra o Ministro da Educação e seus secretários? Onde se encontra o Estado num momento como esse? E quando visitamos o site do Ministério, conhecemos o “Ensino a Distância”. Ironia ou não, mas distância é a única coisa que existe entre o ministério da Educação e a verdadeira necessidade de educação que existe para cada uma daquelas crianças no serrado goiano. Distância é a atitude que o Ministério mantém dessa realidade, que certamente até desconhece. Distância é a realidade que cada criança tem que percorrer cada dia, andando cerca de uma hora para chegar à escola e isso quando não chove. È lamentável, mas é pura verdade.
Fala-se em ensino à distância, em levar educação a todos os cantos do país, a cada brasileiro, por mais longínquo que seja o local onde haja necessidade de educação. Fala-se em levar educação através da TV, da internet, e enfim através de todas as formas de comunicação possíveis e viáveis. Mas, a prática verdadeiramente não condiz com a teoria. Ainda no site do Ministério, encontra-se “Para a educação melhorar, todos devem participar”. Simplesmente é verdade. Agora se todos têm que participar, o primeiro a tomar uma atitude responsavelmente correta é o próprio Estado. Ele tem que ser o primeiro a se envolver, a se comprometer em cumprir o seu papel, diminuindo definitivamente essa distância que existe entre a teoria e prática.
O Estado sim tem que assumir o seu papel, hoje vergonhosamente desempenhado. O sentimento de ira nos toma quando tomamos conhecimento de que fatos como esse ainda acontecem em pleno centro do país. É revoltante, quando nos deparamos com casos como esses, onde as professoras chegam a dizer que o Estado são eles, os educadores. Quando um país tão grande e tão rico como o Brasil chega a essa situação, podemos apenas lamentar e prever que o futuro que nos aguarda não é um dos mais promissores possíveis. O que podemos esperar quando ainda se vive situações como essas em que, não havendo merenda escolar, não há aula? O que podemos esperar se crianças tão pequenas ainda não tiveram a oportunidade de conhecer um carro? O que podemos esperar se em pleno século XXI, existem crianças que necessitam andar mais de uma hora para assistir uma aula e ainda o fazem sem pelo menos ter tomado um café e comido um pedaço de pão?
Sinceramente é vergonhoso para um país como o nosso viver cenas tão brutais, pois, não podemos classificar casos como esses com outro adjetivo. É brutal, é vergonhoso, é lamentável, é deprimente, ridículo, é inadmissível. Quando chegamos a uma situação onde os próprios educadores se autodenominam Estado, apenas o que podemos esperar é futuro sem expectativas, pois, quem mais tem condição e obrigação de fazer não o fazem, simplesmente por omissão e falta de compromisso.
O Brasil ainda está longe de viver uma educação exemplar. O Brasil ainda está longe de diminuir o analfabetismo. O Brasil ainda está longe de acabar com cenas como essas, porque falta atitude, falta querer fazer, falta sentir a dor que os educadores realmente sentem a cada dia daquela realidade escolar quando percebem a ausência de um aluno que não foi assistir à aula porque não tinha no mínimo café da manhã para tomar. O Brasil ainda está longe de mudar, porque o Estado não tem sentimento, não sente em suas entranhas a dor que um educador vivencia quando ele chega para ministrar a sua aula e olha que não tem giz, não tem carteira, não tem um quadro adequado, quando não tem até mesmo alunos.
O retrato do Brasil ainda é esse, onde o Ministério da Educação prega uma educação a distância e onde todos devem participar, mas, que na verdade pratica um discurso totalmente distante da realidade escolar, onde é a área que primeiro ele deve dar o exemplo maior de participação. Queiramos nós, que seja esse um país de todos, onde haja educação, onde sem sombra de dúvidas todos devem ser inseridos, indiscutivelmente.

Escrito em Março de 2009
Jahilton Magno - professor, brasileiro e indignado.