QUANDO A NECESSIDADE CEGA O ENTENDIMENTO


Após a multiplicação dos pães o povo ainda continua a buscar Jesus, mas Ele em sua sabedoria consegue discernir que a motivação pela qual O procuram não correta, mas apenas pela comida, ou seja, pela satisfação física somente. Jesus afirma: ME BUSCAIS NÃO PELOS SINAIS MIRACULOSOS QUE VISTES, MAS PORQUE COMESTES DO PÃO, E VOS FARTASTES.

É inegável o fato de que acompanhar Jesus é também vê-lo fazendo milagres. Onde Jesus anda o milagre acontece. Isso é inevitável; está na sua natureza divina; está na certeza de que também onde Ele anda sempre haverá pessoas que padecerão de necessidades: seja uma multidão faminta de pão e água, seja de uma mulher com fluxo de sangue, seja um cego à beira de um tanque aguardando há anos uma cura, um milagre, seja um Zaqueu, que precisaria encontrar-se com Jesus e ver todos os seus paradigmas quebrados e o seu caráter reconstruído, seja num clube de futebol onde existe um cara extremamente complicado de relacionamento, apesar de ser um baita jogador, seja no ambiente de trabalho onde o chefe ou outro colega necessita de uma cura de Deus na sua vida espiritual, familiar, psicológica. Enfim, a sociedade sempre exibirá os seus necessitados. Seremos sempre os necessitados, quer queiramos ou não, quer assumamos ou não. Esta verdade está intrinsecamente relacionada a Jesus e por isso sempre haveremos de vê-lo praticando milagres. Não existe no mundo uma força que possa dissociar Jesus dos milagres. Jesus é milagre. A vida de Jesus é um milagre. Morrer e ressuscitar foram e continuam sendo um milagre de Deus.

E naquela época, presenciar milagres, ver curas, observar transformações, testemunhar gloriosas manifestações de poder por parte do Senhor Jesus era algo comum. E especificamente neste caso aqui do relato, o povo testemunhara mais um grande milagre: a multiplicação dos pães. Uma multidão sendo alimentada. O povo pensou: vamos seguir este homem e nunca mais morreremos de fome. Vamos segui-Lo onde quer que Ele vá, atravessaremos mares, mas não iremos abandoná-lo, pois comida não vai nos faltar enquanto estivermos com Ele. Jesus conseguiu discernir o que pensavam em seus corações. Era essa motivação que os impelia a viajar tão grande distancia para estar com Ele.

Sabe, não consigo estabelecer muita diferença desse povo desta narração de há mais de dois mil anos atrás para a nossa realidade hoje. Às vezes, somos igualmente parecidos àquele povo. Pensamos: vou seguir a Cristo, não vai me faltar um clube; vou seguir a Cristo e não terei mais lutas; vou seguir a Cristo e as pessoas com quem me relaciono não mais me decepcionarão; vou seguir a Cristo e as portas do emprego estarão sempre abertas; vou seguir a Cristo e certamente vou assinar com um grande clube e ter um salário altíssimo; vou seguir Jesus e minha empresa nunca vai falir; vou seguir Jesus e minha família não terá problemas; vou seguir Jesus e não terei lutas de relacionamento com minha esposa ou com meu marido; vou seguir a Cristo e biopsia que vou fazer não terá resultado positivo quanto a um tumor maligno; enfim, vou seguir Jesus porque é garantido ter o de que preciso sempre. Era essa a mentalidade do povo: não vamos morrer de fome.

A visão é apenas no terreno, apenas no aqui e no agora. A visão consegue vislumbrar apenas a benção, apenas a satisfação das necessidades da vida terrena. Conquanto elas precisem ser saciadas como algo tão normal e tão natural à vida, mas não é isso que Cristo espera, embora seja isso que Ele consiga enxergar muitas das vezes dentro de nossos corações. Ele entende que esse é o combustível que está queimando dentro em nós como sustento das nossas motivações. Ele percebe que em muitos de nós na maioria vezes, o que está fazendo com que as engrenagens que nos movem os parafusos da vida, são simplesmente para a busca de satisfação pessoal.

Quando Jesus disse que não foi pelos milagres que a multidão viu que ela O estava seguindo, Ele estava mostrando-lhes que, às vezes nem sempre olhar, ver, enxergar, presenciar, testemunhar consegue gerar no homem a capacidade de entendimento daquilo que realmente ele vê. O que Jesus está dizendo para o povo era que verdadeiramente não bastava ser apreciador dos fatos, de modo que, conquanto os fatos vistos e presenciados não gerem entendimento, eles de nada valem. E quando não se percebe a lição verdadeira daquilo que está sendo ensinado em âmbito espiritual e com finalidade de eternidade, o que se vê é uma valorização pelo que é perecível. Nesse instante, abre-se mão de valores eternos para abraçar o que é presente, o que é efêmero, o que é frustrante, o que é decepcionante, o que é falível. Quando isso acontece, estamos a um passo de nos tornarmos mais um dos que compõem a lista dos decepcionados com Deus. Porque não conseguimos discernir que maior que os milagres é o Deus dos milagres, que maior que lutar pelo pão do dia a dia, é lutar pelo pão da eternidade; maior que satisfazer as necessidades físicas, é satisfazer as necessidades da alma; maior que o pão de trigo, comum a nós todos os dias, é o Pão da Vida.
            O povo não percebeu que cada milagre feito e realizado para glorificar a Deus, era também para abrir o entendimento deles acerca do Filho do Homem, era para testemunhar que Jesus era o Filho de Deus que veio para resgatar o povo do pecado. O povo não percebeu que maior que necessidade de comida que eles tinham, suas almas eram famintas e necessitadas de um pão que alimentaria para a toda a eternidade.
NEle, que percebe cada uma das nossas motivções se preocupa com isso e nos dá o caminho da eternidade
Jahilton Magno
São Luís, 14.05.12

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