Identidade



IDENTIDADE
Ei, acorda - ouvi bem longe.Quem é? - perguntei.
Sou eu - respondeu
Eu? - indaguei Sim. Estou aqui... - disse-meTentei levantar, ainda não entendendo nada. Não precisa se levantar - disse-me, acalmando-me.A voz era suave, não estranha, leve, cativante.Quero apenas te dar um abraço - expressou.Aproximou-se. Em mim não havia reações externas. Apenas me tomava um misto de dúvidas e surpresa.Afagou-me com singularidade e a temperatura tinha a textura do amor. A pele trazia um calor de alma. O cheiro... Ele fincava em mim sensações não desconhecidas. Fechei os olhos. Confesso que era de uma agradabilidade aquele momento. A minha preocupação de saber quem era de repente se foi, pois entre a curiosidade e o bem-estar - naquele momento - optei pelo segundo.Vagorosamente foi me soltando. Olhou-me nos olhos, ainda perplexos. Trouxe a mão aos meus lábios.
Não diga nada - alertou-me.Senti-me desamparado das forças naturais de um homem. E o silêncio tomou-me o ser com terna delicadeza.Sou tua companhia constante - começou -. Às vezes revelo-me de dia, outras à noite. Não me importo se estás sozinho ou acompanhado. Não me faz diferença a escola, o trabalho, tua casa, teus amigos, pois sou parte de ti. Você foi capaz de me adotar quando comigo esteve pela primeira vez e chorou. A tua lágrima foi nossa aliança, o teu choro o nosso pacto, a tua dor e alegria nosso segredo. Eu te acompanho, mesmo quando não me sente. Saiba que sou educada, o teu convite é a minha mais grata alegria. Quando quiser andar de mãos dadas em estradas absurdas, intransponíveis, acene, que de pronto venho te ladear.Por fim, quero te dizer que a minha peregrinação contigo se finda quando a tua alma se dessensibilizar para a vida, os fragmentos de outras já forem interpretados como desnecessários e o teu coração não mais arder por construções erguidas há tempos dentro de ti. Neste momento, me ausentarei - foram suas palavras.Mas quem é você? - desesperadamente perguntei-lhe, já vendo despedir-se de mim.SAUDADE... Meu nome é saudade - disse-me com a voz calma e distante.Pus-me quieto.O passado tinha posto em mim seu dna.Viver, também, era carrega-lo.

By Jahilton Magno.
Ps: há momentos que fatias, fragmentos, recortes da vida surgem te ensinando que só é possível ser completo quando as colocamos na ordem certa. Eles têm lugar.
São Luís, 13 de Abril de 2015

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