ENFRENTANDO AS NOTICIAS DE PERDAS


EXISTEM FATOS QUE TÊM QUE SER ENFRENTADOS SEM QUE POSSAM SER MODIFICADOS.
Em momento algum, podemos entender que o desejo do Senhor Jesus era a morte de João Batista. Sua morte não poupou o próprio Jesus, ou seja, essa realidade também teria que ser enfrentada pelo Mestre, assim como por todos os discípulos que seguiam a Voz que Clamava no Deserto. Essa notícia tinha caminhos a serem percorridos e não mudou o rumo nem mesmo quando iria se defrontar com o Senhor. Ela não se desviou, nem se inclinou, nem deu meia-volta para resguardar Jesus do impacto que poderia causar no Seu interior.
Isso nos ensina que em muitas oportunidades da nossa vida não estaremos isentos de sermos atacados não somente por notícias, como também por fatos que nos causarão tristeza. Diariamente somos assaltados por histórias tristes: o fim de um relacionamento em que depositávamos todas as novas forças que chega ao fim; é o resultado de uma biópsia que detectou que o tumor não era benigno, mas maligno; o patrão que nos informa que a partir daquele momento não fazemos mais parte da empresa; a procura sem sucesso do próprio nome na lista dos aprovados no vestibular ou concurso; ou aquela porta que esperávamos abrir, mas que na verdade não se realizou; ou mesmo como Jesus, receber a triste e dolorida notícia de que alguém que nos era importante e querida faleceu.
A vida, às vezes nos guarda peças que geram em nós uma profunda sensação de desconforto, de vazio e de tristeza. Há anos atrás, quando meu irmão mais novo tinha uns vinte e três anos, mais ou menos, ele sofreu uma fratura em uma das pernas. Nesta época ele vivia em São Paulo e jogava em uma equipe de futebol profissional. Meu irmão mais velho estava ao telefone e dizia-me: “Tenho uma notícia não muito boa pra te dar”. Logo pensei em meu irmão mais novo e uma enormidade de pensamentos negativos, que me perturbaram e me afligiram o coração. E ele continuou: “Jean quebrou a perna”. Logo que terminamos de conversar, saí da sala onde estava e fui para o terraço e comecei a chorar. Aquilo me foi duro de enfrentar. Confesso que em momentos como esse, gostaria de ser poupado, guardado e protegido. Gostaria que se desviassem de mim estas situações; queria que quando estivessem para se aproximar da minha pessoa, tomassem outro rumo, dessem marcha ré; mas como no caso de Jesus, não é possível, não me é cabível, não me é permitido. Pelo contrário, tudo isso está no próprio desenrolar diário da vida, pois ela é formada também por fatos, momentos, circunstâncias e notícias que não nos agradam, mas, pelo contrário, causam em nós impactos negativos, sensações estranhamente confusas, deixando-nos totalmente perplexos, como quem não sabe o que fazer e para onde ir. Tais situações arrancam de nós lágrimas, fazem borbulhar sentimentos até então desconhecidos e inexplicáveis.
É essa muitas vezes a realidade que vivemos diante de conjunturas fora do nosso controle, pois essas peças não escolhem atores para as encenarem; pode ser eu pode ser você que tem o papel principal; elas não escolhem e também não se desviam, porque a vida é assim. Na caminhada de Jesus, Ele mesmo não pôde se esquivar, nem ser poupado, nem ser isento ou guardado, porque para alcançar o Seu objetivo tinha que passar por tudo aquilo. O Senhor o enfrentou sem modificá-lo.
NaquEle que ensina que existem fatos que são como rios destino certo.

São Luís, 09.03.11 (Postado nesta data, mas escrito em 99.)

Jahilton Magno

Um comentário:

  1. Hoje Jahilton, apesar de não ter sido com meu irmão, mais aconteceu com um estimado e muito mais muito querido amigo meu...obrigado pela força...

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