A LEVEZA DE SER TRANSPARENTE



Hoje pela manhã tive que ficar com minha filha um momento maior, e logo que acordei fiquei brincando com ela. Certo momento, ficamos sós e eu comecei a orar em voz alta e aí falei a ela para repetir as minhas palavras: “SENHOR JESUS, OBRIGADO PELA MINHA VIDA, PELA VIDA MINHA MÃE, PELA VIDA DO MEU PAI. ABENÇOA A MINHA FAMÍLIA E A MINHA VIDA EM NOME DE JESUS. AMÉM”. Enquanto minha filha repetia as frases que eu ia falando para ela, tomei-me de profunda reflexão: O ato tão natural da criança é algo impressionante.
Mesmo não sendo as palavras dela, mas minhas, fui tomado da necessidade de refletir. A criança é desprovida do vocabulário adulto, este que em muitas vezes mais nos atrapalha que ajuda; nela, há a liberdade de falar o que ser quer falar, posto que a liberdade a faz não apenas caminhar na comunicação, mas correr e esbanjar-se em fluência que vem da alma. Há a doação da alma em si, porque o fluir é leve, verdadeiramente suave em toda a sua totalidade. A comunicação na criança é possível, porque nela (ainda que instintivamente) a naturalidade é a expressão mais forte pela qual se manifesta como ser. Comunicar-se bem é ser natural, e isso a criança nos dá aula. As suas vias não são manipuladoras, pretensiosas. 
Ao olhar para a nossa relação com Deus, percebemos que essas características estão longe de serem nossas realidades. O muito verbalizar acarreta palavras, mas não expõe o íntimo; as falácias se nos fazem perder o nosso objetivo e o que era para ser uma relação dialógica torna-se um monólogo enfadonho e morto. Eis que o que era para ser vida, torna-se morte. A alegria da relação entre duas pessoas sede lugar aos esconderijos obscuros, pois o princípio foi quebrado. Semelhante coisa aconteceu com Adão que se viu conhecedor de realidades que somente lhe foram possíveis provar através da queda, como por exemplo, o medo.
Mas na comunicação de uma criança há alegria, há espontaneidade, há liberdade, há confiança. O desafio é tornar-se como criança na relação de comunicação com Deus. Expressar o que vai dentro em si, desnudado de oratórias religiosas, cacoetes batistas, ou assembleianos, ou presbiterianos, ou judeu, ou mulçumano ou xiita, ou de qualquer outro credo possível. Porque é bem verdade que as lições infantis e até mesmo lúdicas que esses seres tão pequenininhos nos ensinam são muito mais eficazes e vestidas da seda da confiança e da transparência que as mais nobres roupas que vestimos, adornadas de adereços do tempo, de vocabulários, experiências e etc.
Orar com minha filha me fez refletir sobre minha oração, minha ortodoxia e minha ortopraxia; orar com minha filha me fez fazer considerações na busca de um equilíbrio necessário para minha saúde espiritual, para o desenvolvimento da minha relação com Deus.

Em Cristo, que praticou de maneira a deixar o exemplo uma relação com o Pai.

12.03.11

Jahilton Magno

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