RETRATO DA ALMA


Escrevi porque tomei-me de uma dor tão funda.
E no branco do papel
Com o negro da pena, tão forte,
Escorreu-me o sentimento.
E a ausência, o tato não tido,
O olhar não visto, o abraço não sentido,
Fazem jorrar a tinta, tão forte.
O homem desmancha-se em palavras,
Em sílabas, em letras, em choro.
E como escorre a dor, escorre a alma,
Firma-se o sentimento numa lembrança profunda, tão forte.
Nem sei, sei que dói, é tão forte.
Misturam-se as convicções às dúvidas.
Um misto do querer e de não ter,
De um vazio de um sorriso especial.
A tinta que se esvai,
Junto com ela se me esvai o riso.
E se é poema, não o sei, sei que é o que é,
E é tão forte, e tão verdadeiro,
E tão real.
O branco, ah o branco, retrata-me o peito.
Não há um ombro,
Nem um toque, nem um olhar.
O meu... o meu voa na imensidão do tempo,
E debruça-se em cândido silêncio.
O pulsar do peito, tão forte,
Impulsiona a mão a marcar o branco.
Sem rima, sem vontade de agradar o crítico,
Apenas sendo o que é: retrato da alma.
Tinta, pena, papel branco, e uma dor tão forte,
Tão forte.


Jahilton Magno 04/04/08 em casa

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