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QUANDO O MEU NORMAL SE TORNA ANORMAL


Na vida só percebemos algo bom quando temos a oportunidade de estabelecer uma comparação com algo ruim. E o contrário também é verdade. Vez por outra comparamos namoros, relacionamentos que já tivemos, escolas que estudamos, amigos que tivemos a oportunidade de ter ao longo da vida, lugares que tivemos a chance de conhecer. Enfim as comparações são sempre tão presentes e tão constantes. Estão diante de nós momento a momento e sempre vivemos experiências nas quais podemos estabelecer comparações.

A vida que levamos, os nossos padrões, as nossas filosofias, os nossos conceitos, tudo sempre está presente em nossas decisões, na nossa forma de ver e encarar a vida. Posto que a forma como andamos demonstra os nossos valores, externa as vias de regras que se nos conduzem, que alicerçam e fundamentam a nossa atitude em relação à vida.

E é interessante como é tão normal o que fazemos e o que praticamos, que dentro em nós não existe nada que sinalize que aquilo – a forma de viver e de fazer as coisas – está em desacordo com aquilo que Deus tem como padrão para nós. E ainda que exista resquícios de um direcionamento contrário ao nosso padrão vigente, parece que é apenas um assobio mínimo em meio ao barulho das correntes rápidas dos nossos afazeres.

Não tem um basta e nem um freio aos nossos velozes e constantes atos. Tudo vira a rotina da normalidade e não há sinalização de retorno e volta. Então a ida e velocidade que imprimimos à realização dos nossos desejos se perdem e não tem ponteiro que se nos mostre a que ritmos estamos. Porque o normal do nosso comportamento nunca será errado a menos que a nossa conduta seja confrontada com o normal de Deus.

O nosso normal, a que tanto estamos acostumados, é abraçado e multiplicado e perpetuado e cultuado com tanta naturalidade porque não temos outro padrão que se nos apresente. E quando não existe outro padrão, não há a possibilidade da comparação. Porque o que vai dentro do coração é único e absoluto e como tal, vai se externando na via da vida.

Porém, quando Deus nos mostra na corrida da vida que a velocidade que estamos imprimindo às nossas condutas erradas somente vai nos levar a perdas, aí o normal passa a ter outro conceito. Porque em Deus o que é normal começa a ser confrontado e para decepção do ser humano, geralmente condicionado suas atitudes são erradas.

O normal de Deus desfaz as nossas teorias; o normal de Deus contraria as nossas convicções; o normal de Deus é choque e crise para as nossas normalidades, às quais estamos tão umbilicalmente acostumados.

Quando Jesus se encontrou com o jovem rico que está descrito em Lucas capitulo 18, Ele o confrontou com a Sua normalidade. O jovem disse que fazia tudo certo e que seguia os mandamentos correta e fielmente. Então Jesus disse a ele pra vender tudo que tinha e repartir com os pobres e segui-lo. O jovem viu que era muito rico e ficou triste. O seu valor foi confrontado com o valor de Jesus. O seu normal (a importância que dava ao dinheiro e as posses) foi confrontado pelo normal de Deus que estava em outro patamar. E ele viu que o padrão de Jesus era muito mais elevado e diferente.

Em Deus, a riqueza não tem valor se ela é um obstáculo a servir a Ele; ela não tem valor se o amor está nela e esse amor impede que se tenha por Deus um amor que supere esse apego. Em Deus o que é valor só tem valor se é menor que o amor que se tem a Ele, se tem menor valor que o valor que dou ao Senhor.

Onde estão os teus valores? Na vida que você vive de fazer a sua própria vontade? O seu valor está em tentar viver como se não existissem os valores de Deus para sua vida? O seu normal de repente pode estar nesse momento sendo confrontado pelo normal de Deus e você está chegando à conclusão que está na hora de viver esse normal, tão anormal de ser visto hoje.

Reflita nisso e busque estabelecer comparação dos seus valores.

Em Cristo, que nos mostra um padrão eterno e com conseqüências eternas.

Jahilton Magno

São Luís, 28.08.09

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